Postagens

um perdão

Eu te perdoo. Perdoo o dia em que falou mal da minha família pela primeira vez. Perdoo o dia em que falou mal dos meus amigos. Perdoo o dia em que me fez sentir insignificante. Perdoo o dia em que passou por cima de mim, como se eu fosse uma formiguinha. Perdoo teu abandono. Perdoo teu sumiço e tua falta de amor. Perdoo, assim, com o coração apertado, mas perdoo. Mas me perdoo também. Por ter acreditado em cada palavra, em cada sorriso, em cada guloseima, em cada sonho compartilhado. Eu me perdoo por ter fechado os olhos, por ter acreditado cegamente, por ter ouvido apenas um lado da história. Me perdoo por ter confiado, por ter comparado, por ter concordado com ideias absurdas para não me sentir sozinha. Me perdoo por trocar verdade por migalhas. Me perdoo por ter sido a melhor amiga que alguém poderia ser e ainda assim descobrir que tudo não passou de mentiras. Me perdoo por abandonar o barco antes que fosse tarde. Me perdoo por lembrar meus valores, os mesmos que apren...

vida

Eu tô aqui sentada no meu sofazão confortável assistindo o Palmeiras na tv e comendo pedacinhos de um ovo de chocolate que ganhei dos meus pais. Tô de ressaca dessa Páscoa, que foi uma das melhores dos últimos tempos. Não me lembro de uma Páscoa tão boa desde quando me vi morando sozinha pela primeira vez e preparei um almoço de domingo no apê novo para as amigas. Fiquei orgulhosa de mim aquele dia. Pela primeira vez não senti tanta falta de estar em família e tive a sensação de que a vida se ajeitaria. Essa sensação de simples felicidade se repete hoje no meu peito. Trabalhei três dos quatro dias de feriado, dei o melhor de mim para que tudo desse certo no site e sai da redação com a sensação de dever cumprido e sem aquele ranso de que poderia estar fazendo qualquer outra coisa. Pratico a profissão que escolhi e isso é benção suficiente para agradecer. Tô me sentindo agradecida nos últimos dias, principalmente porque entendi que nossas escolhas fazem quem ...

rotina

E dai que todo mundo tem uma rotina, um jeito particular de ser que acontece a todo segundo sem que a gente perceba que está agindo costumeiramente. Minha rotina é tão enraizada que quando percebo que estou repetindo o gesto de ontem tento fazer diferente. Mas amanhã eu esqueço e faço igual a anteontem e assim vai. Mudar a rotina não devia ser tão difícil. Significa permitir-se errar. Tomar o café antes de lavar o rosto. Arrumar a cama antes de escovar os dentes. Lavar o corpo antes de molhar o cabelo. Simplesmente acumular a roupa suja no cesto e deixar a poeira deitar e rolar nos móveis. Fazer o que tem que ser feito quando der na telha. Engraçado como ao escrever essas linhas tudo parece ridículo. A necessidade de tirar a roupa logo ao chegar em casa e colocar aquele short confortável. A necessidade de lavar a louça assim que termina de comer. E tantas outras necessidades que de imprescindíveis não têm nada. São apenas um modo de organizar a vida. Me pergunto se essa mania de anteci...

caminhos

O sono voltou. Creio que é porque a Folhaweb finalmente entrou no ar e comparar os acessos e ler os comentários das matérias é muito mais inspirador que escrever para si mesmo. Tem também os abraços carinhosos dos pequenos da Galera. Cada terça tem sido uma surpresa. Outro dia, enquanto ouvia Alessandra contar que apanhava se não fosse vender "gominha" no Centro, Tamara me puxou de lado e disse, sem mais nem menos: "Eu vi meu pai matar meu avô". Com riqueza de detalhes num português bastante confuso ela narrou a lembrança, com algumas interrupções do irmão, que corrigia um ou outro detalhe. Mas o ônibus chegou e ela precisou correr para não perder a carona. E me deixou com meu espanto e meus pensamentos. Duas semanas depois, ao me ver, me abraçou e resolveu não soltar mais. Parecia até que pressentia que contaríamos sua história aos coleguinhas de Galera em mais uma oficina de leitura. Mas não contamos a trágica morte do avô paterno (sim, o pai dela matou o próprio ...

essa tal ansiedade

Então agora a ansiedade deu para aparecer no sono, ou melhor, nos sonhos. Não durmo mais aquele sono gostoso, de oito horas initerruptas. Sempre me antecipei ao despertador, mas ultimamente tenho me antecipado antes mesmo de pegar no sono. E os sonhos, esses estão cada vez mais confusos. A moça da poltrona marrom me disse que a doideira dos sonhos são meu inconsciente tentando resolver os problemas do dia a dia e que eu deveria aproveitar a minha capacidade de lembrar dos sonhos para tentar achar respostas aos meus questionamentos. Não sei se ela está só querendo me acalmar, mas eu não sei se consigo realmente aproveitar as horas de descanso para trabalhar o que acontece nas horas de sol. Me sinto cansada ao acordar. Sinto que ao invés de deixar as fantasias rolarem, estou apenas passando as horas até ter que acordar de novo, quando deveria simplesmente descansar. Nem as horas no sofá relaxam. Não sei o que é, mas continuo em busca. Meu coração está vazio. Ou cheio, não consegui decidi...

noção de tempo

S e para você o tempo parece voar em certos momentos e simplesmente estacionar em outros, para mim ele representa as possibilidade vividas e as perdidas. Planejar sempre foi meu forte e viver a rotina, uma facilidade, quase uma paixão, ainda que costume sacudir um pouco as mesmices com mudanças repentinas. Mas prefiro mesmo o conforto de saber como será meu dia. Prefiro mas não desgosto de não saber. Às vezes é preciso não saber. Mas essa dúvida me incomoda, como aquela picada de pernilongo que não quer parar de coçar. Fico ansiosa com a sensação da espera. Sinto os pensamentos se formando, o sentimento de impotência crescendo, certificando que estou viva. Que penso, sinto, reajo aos acontecimentos. E à falta deles. Eu gosto de pensar que tenho o controle. É uma sensação libertadora poder decidir sobre o que fazer com o próprio tempo. Só que às vezes esse tempo é tamanho que eu gostaria de não precisar tomar decisões. Esse é o problema do excesso de opções oferecidas pelo tempo: você p...

só um desabafo

Só preciso dizer algo antes de enveredar por mais uma noite londrinense: tenho medo de perder minha independência. Pronto, falei. De repente entendi o porque de tanto pavor em ficar só. Só não conseguia enxergar porque sempre achei que não sou independente coisa nenhuma. Dai descobri que sim, sou dona do meu nariz, e talvez não queira dividir o meu nariz com ninguém. Quer dizer, eu quero dividir, mas preciso aprender como fazer isso. Deu um aperto no peito descobrir tudo isso mas também foi um alívio. Significa que todos os debates filosóficos sobre a vida têm surtido resultado e que a tendência é ser mais feliz daqui pra frente. E bora pra balada de terça-feira. Meio sem forças físicas mas com o coração um tantinho mais calmo.