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sobre baleias

Sem querer querendo eu aprendi na prática como o algoritmo realmente funciona. Quer dizer, eu trabalho para ele e sei que, hoje, quase tudo é por causa dele, mas eu nunca imaginei que despertaria para um sonho só porque vi um vídeo aleatório no Instagram.  A verdade é que estava rolando o feed quando vi um vídeo de uma baleia jubarte nadando em meio a arraias no litoral de Ilhabela. O vídeo do fotógrafo especializado em vida marinha Rafael Mesquita foi feito com auxílio de um drone, então a perspectiva da cena era ainda mais grandiosa. Aquela imagem ficou guardada no meu inconsciente e me vi seguindo o trabalho desse fotógrafo, que é um grande pesquisador e incentivador da conservação animal. De repente, me vi seguindo as empresas que oferecem avistamento de baleias no litoral paulista e pensei: acho que quero ver baleias. Dois anos se passaram desde que esse singelo sonho despertou no meu peito e finalmente parti em busca das baleias. Eu pesquisei sobre elas, sobre a temporada, s...

vapor Sises

Fui convocada por uma prima que mora na Itália para ajudá-la a recuperar informações sobre a imigração dos seus nonnos, que vieram ao Brasil junto com os meus nonnos, na década de 1950.  O motivo é uma homenagem que a cidade onde a mãe dela mora fará às famílias que imigraram no pós-guerra. Prontamente acionei minhas tias e tios, ouvi seus relatos, reuni fotos e consegui escrever um textinho simples sobre a trajetória da Tia e do Tio, como eram chamados pelo meu pai e seus irmãos a zia Evelina, que na verdade se chamava Celestina, e o zio Luigi, o barbe Gigi ou zio barbe para as crianças. Foram eles que ajudaram a criar os filhos do meu nonno Igino depois que a nonna Teresa morreu muito jovem, com apenas 40 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar.  Quando a prima leu o texto e viu as fotos dos seus nonnos, sua mãe e suas tias, tão novinhos, ficou emocionada, e misturou português e italiano para agradecer a ajuda. Me emocionei quando ela disse: "Que bela jornalista você é....

obesa

distorção de imagem é algo muito sério. algo inexplicável. a gente se olha e vê algo que não reconhece. de repente,  você é uma adolescente saudável, porém tímida, que não conhece ninguém com o mesmo corpo que o seu e começa a achar que tem algo errado. e passa a se esconder. desiste das minissaias, dos tops, das sandálias, da maquiagem e vive dentro de camisetões e tênis que te permitem sumir. você escolhe passar os sábados à noite ouvindo música no quarto ou vendo séries na TV. ou, quem sabe, bebendo Coca-Cola enquanto seus pais jogam baralho e bebem cerveja com seus primos mais velhos. você faz 18 anos e pede: mãe, quero fazer uma plástica. mãe, quero tomar roakutan. só assim serei feliz. e você tira metade do peso dos seios e usa azelan para as manchas na pele e omeprazol para o estômago e seu rosto finalmente se livra das espinhas que doíam. e por um milagre você não tem cicatrizes de tanto apertar as feridas que jorravam aquela gosma branca odiosa que te fazia pensar: ele nun...