Postagens

aos solitários

É sexta à noite. Eu sai relativamente cedo do trabalho, apesar de ter passado praticamente o dia em frente ao computador lendo matérias, retrancando fotos, escrevendo títulos, linhas finas, legendas, uma janela aqui outra ali, corrigindo páginas, apagando uma lista infinita de e-mails. Estou feliz. Estou calma, depois de muito tempo sem dormir direito. Se hoje sinto um medo é de estagnar de novo. O destino me fez aprender que posso com ele, afinal de contas. Aquela sensação de vazio e impotência que me consumia foi substituída por trabalho e entendi que quanto mais coisas a fazer, mais feliz eu sou. Pronto. Apesar de dormir muito todas as manhãs, sinto uma força se construindo aos poucos dentro de mim e que em breve retomarei a vida saudável. Se é que um dia tive uma. Enfim, os problemas são outros que a comida que comi hoje ou se fui caminhar. Os problemas são maiores que meu peso e meu triglicérides alterado. Não que a saúde não seja importante, mas é que nesse momento ela simplesmen...

'transformando lealdade em padrão'

Ser torcedor de futebol é um sofrimento só. É noite sem dormir antes da partida decisiva, é desespero quando o time adversário faz um gol, é choro se o time perde. Cair para a segunda divisão, então, é indescritível. É tão indescritível quanto comemorar o título da segundona e o retorno à elite. Ser tocerdor é se preocupar com a gozação do amigo no dia seguinte. É imaginar piadinhas e tentar não se incomodar com as tiradas dos rivais. É levar na esportiva. Ser torcedor é simplesmente amar algo tão inexplicável quanto um grupo de 11 caras desconhecidos correndo atrás de uma bola, ora defendendo uma esquadra, ora outra, assim como você, que ora trabalha numa empresa, ora em outra. Conheço torcedores do Santos de Pelé e da democracia corintiana. Conheço são paulinos da época do Rai e do tri mundial. Conheço palmeirenses que veneram a Academia e torcedores do LEC que adoram recordar os momentos áureos do azul celeste do Norte do Paraná. Eu mesma sou uma palmeirense da era Parmalat, do mata...

realidade

Fui a um revival. Num bar onde há anos não colocava o pé. E ao invés de ficar recordando o passado, dei risada do presente. Quer dizer, lembrei de quando tomei algumas cervejas lá com os novos amigos que havia feito naquele primeiro ano de Londrina. Mas foi só. Ao final da festa e depois de muitas cervejas, no nono ano de Londrina, descemos a São Paulo rumo à barraca de pastel. Paradas inesperadas nos sinaleiros para imitar os Beatles em Abbey Road ou atender um telefonema na cabine londrina da praça. Fotos na madrugada gelada. Me pareceu brega no início mas a tal câmera na balada se mostrou mais divertida do que eu pensava. Mais uma para eu aprender. Na feira, depois de darmos a primeira mordida no pastel, presenciamos a briga mais estúpida de todos os tempos: um nervosinho acusando um carinha de ter tirado a maionese da mão dele enquanto ele ainda estava recheando o pastel com a meleca. Em meio a empurrões, bem fracos diga-se de passagem, o nervoso foi embora com um ami...

lucky

Imagem
Tô achando tudo muito estranho. De repente eu cheguei cedo, eu enfrentei poucos minutos de fila, assisti a shows muito interessantes e quando o relógio bateu 18h50, eu vi minha bandinha tocar pela segunda vez. Pulei mesmo, gritei mesmo, dancei mesmo e cantei muito. Talvez porque estava entalada com milhões de pensamentos inúteis ou simplesmente porque estava ali, ouvindo músicas que me remetem a um passado próximo que me fez muito feliz, mas que ficou para trás. Aquela euforia de ouvir o Franz e cantar aquela música especial deu lugar ao familiar. Por isso achei tudo muito esquisito. Deu tudo muito certo para mim. Só não deu certo dividir o momento com os amigos conquistados nesse passado próximo. De dentro do parque, vendo tanta gente esquisita, analisando atitudes e admirando a coragem alheia, dei risada com a prima caçula que via a banda pela primeira vez e não entendia muito bem o que acontecia. Ela se esforçou para gritar comigo um ou outro refrão, mas ficou frustrada por...

uma terça tilt

Imagem
Quando cheguei em Londrina, há nove anos atrás, conheci um pessoal que me apresentou um mundinho novo. Colorido, cheio de all stars de diferentes canos, barbas compridas, muito xadrez, calças justas, cabelos assimétricos e música que eu nunca havia escutado antes. Era meu mundo mágico, para o qual eu fugia terça sim, terça não. Onde conheci novas bandas, pessoas interessantes e onde comecei a beber cerveja em dias de semana. Quando eu falava da tal festa, o pessoal de casa tirava sarro. Mas ficava um vazio na semana se eu não fosse ouvir o Galão tocar. Para me ajudar a entender o que acontecia, o dj gravou dois cds com um resumo da cena musical alternativa da qual eu nunca tinha ouvido falar. E assim foi, os anos passando, novos amigos discotecando, dedicando músicas para mim até que um dia eu mesma me aventurei nas picapes. Foi sensacional. Foi um trabalhão escolher as músicas, até porque eu queria mesmo era agradar a minha turma e não o resto. Então teve de tudo e eu me sent...

banho de água fria

Estava eu comendo uma pizza com uma amiga nesta sexta-feira e de repente me vi revendo alguns conceitos perdidos em meio à rotina exaustiva. Foi mesmo assim, entre um pedaço de pizza e um gole de Coca, que nos vimos discutindo o futuro da nossa profissão e como a vida depende da paixão para fazer sentido. Sim, a vida, não só a profissão, não só os relacionamentos, não só a saúde, mas cada segundo precisa de um bocadinho de paixão para fazer o mínimo de sentido. Tá bom, parece exagero, mas tem um fundinho de verdade nisso tudo. Se cada vez que eu levasse uma bronca eu encarasse como um ato passional, talvez eu entendesse realmente o que deveria mudar e faria melhor para, justamente, não levar a tal bronca de novo. Talvez se eu defendesse meu ponto de vista com mais sentimento, ele seria acatado. Nem que fosse uma única vez e isso seria o máximo. Paixão é uma palavra simples, mas de um significado enorme para o ser humano. Nos move. Nos coloca à prova, nos faz cometer os atos mais insano...

sobre contos e fadas

Pelo visto a gente realmente não muda. As neuroses nos acompanham, nós é que temos que saber lidar melhor com elas. Tenho ouvido isso há uns dois anos e a coisa toda parece não querer entrar na minha cabeça. Dai vem a irmã e diz que tudo o que tenho feito parece mesmo não ter modificado nada. E vem a prima-irmã e fala a mesma coisa e eu me pego suspirando ao ver mais uma comédia romântica na tv e eu mesma me pergunto se já não é hora de crescer de verdade. Deixar a reclamação para quando ela realmente é necessária e simplesmente encarar que as pessoas gostam de mim exatamente como sou e que realmente não preciso ser a melhor de todas. Preciso apenas ser. Se acho que meus olhos são verdes mas o mundo insiste em dizer que são azuis, por que não dar uma chance ao mundo e tentar enxergá-los com o tom azulado que, quando as pupilas não estão dilatadas, aparece no espelho. Tomar bronca por deixar de procurar um médico quando o cabelo está caindo há pelo menos um ano e o estômago queima depoi...