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e tudo acaba em pizza

Boletim azul Para este segundo - e último ano - de estudante de Gastronomia pretendo me deixar levar pelas delícias preparadas nas aulas e não tanto pelas notas. Se no primeiro ano priorizei meu boletim azul, nesta segunda etapa quero manter o bom desempenho, mas, principalmente, cultivar a paixão pela cozinha.  Não sei bem o que me espera no próximo semestre. Sei que teremos uma maratona gastronômica para a qual nos preparamos no primeiro ano e que terá como tema o pão. O grupo do qual faço parte será responsável por duas oficinas: de pizza e focaccia. Acho que será uma das mais concorridas, já que todo mundo que conheço adora uma pizza. Mas teremos diversas variedades de pães para o público degustar e aprender a preparar. Afinal, somos oito grupos na sala.  Ao vivo Como não participei da maratona do ano passado, fico apenas com as palavras do professor de que serão dias intensos, de muito trabalho. E que vai ter muita gente enrolando enquanto outros tantos estarão com ...

sobre números

"O amor só dura dois anos." Esta frase da amiga - que tem um contexto que não cabe aqui - me fez pensar sobre os números da vida. Para mim, os números começam com a idade. A gente passa nove meses na barriga da mãe, vem ao mundo, e é visitado por um monte de gente nos primeiros meses, quando os dentes doem para nascer e sorrimos por qualquer bobagem. Quando completa um ano - com aquela tremenda festa que só faz sentido para os adultos - aprende a andar, e ganha uma certa independência. Dai para frente são conquistas diárias: a primeira palavra, os terríveis dois anos, a primeira aula na escolinha e assim vai. Minha vida começou a mudar aos três anos quando chegou a irmã mais nova. Não seria mais única. Mas acho que isso nunca me incomodou. Pelo menos é o que minha mãe diz. Claro que sinto ciúmes, mas estou mais controlada. Acho que sinto mais falta dela ao meu lado do que ciúme, mas são sentimentos que a vida nos ensina a equilibrar. Mas falando em números, aos sete eu com...

diário de uma aluna de gastronomia, parte 3

Molhos, ABNT e Masterchef Iniciar uma faculdade de gastronomia depois de 13 anos formada em jornalismo e fora da escola foi mais difícil do que eu pensava. Havia me esquecido das provas e trabalhos e das benditas normas técnicas da ABNT, que têm tirado meu sono algumas noites. Havia me esquecido como é ter que trabalhar em grupo e enfrentar umas 50 pessoas completamente diferentes de mim que também serão cozinheiros e encaram as aulas como se tudo aquilo fosse um verdadeiro Masterchef (não, não é, somos todos aprendizes). Havia me esquecido que teria de preparar saladas - e não gosto nada de comida fria.  Garde Manger é a matéria que trata deste tópico que tanto abominei em toda a vida, mas que aprendi a respeitar e até gostar - desde que a receita não leve ovos cozidos e pepino. Brincadeiras à parte, as aulas de cozinha fria foram muito complicadas para mim, que normalmente não coloco verde no prato - ou legumes que não tenham sido cozidos na manteiga.  Holandês francês ...

deletei

Hoje apaguei mais de 800 e-mails do meu outlook, 822 para ser exata. Tinha coisa lá que eu nem lembrava mais, de mais de cinco anos. Respostas para amiga que mandava notícias do navio, histórias saudosas do primo italiano, pedidos para o advogado finalizar o distrato da lojinha, informações do casal que me ajudou a superar a perda de uma amizade com a oportunidade de ler para crianças em necessidade, enfim, tinha tanta coisa lá, mas bastou dois únicos cliques para deixar tudo onde pertence: no passado. Que sou apegada ao que aconteceu ontem todo mundo sabe, que acho que ontem era melhor que hoje e será sempre melhor que amanhã também, mas de repente é chegada a hora de colocar as coisas em seus devidos lugares e simplesmente aceitar que a vida é o hoje. Não são as aventuras italianas, as festas na caverninha, os almoços de domingo na casa da professora de natação ou as noites ouvindo música na penumbra da sala da amiga. Não são as terças, as quartas, as quintas de nomes engraçados que ...

suspiro

Minha mãe sugeriu que eu escrevesse, só assim a dor no estômago me abandonaria. Eu disse que nem isso consigo fazer mais. Não sei bem porque. Este ano foi tão maluco e rápido e intenso, que só queria colocar os pés na areia e contemplar o mar. Mas não vou à praia. Ao invés disso, vou à cachoeira. Deve fazer o mesmo efeito. Pelo menos espero. Há tanto tempo que não entro em contato com a natureza que já nem sei mais se sei bem como fazer isso. Só sei que este ano precisa acabar logo e bem. Porque 2015 precisa começar com o pé direito, abraços carinhosos, sorrisos, brindes, enfim, muita energia positiva para fazer com que o ano seja alegre. Eu acredito nessas bobagens. Até tentei não acreditar, mas acredito. Sou neta da minha vó e ela é bem supersticiosa. É claro que não me apego aos mínimos detalhes como ela, mas é claro, também, que desejar momentos felizes para a virada do ano é muito mais que superstição: é normal. Que assim seja, então, energias positivas para mim, para meus pais, m...

sem noção

Não faço a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida. Sei que tenho alguns sonhos bobos que um dia gostaria de realizar, e que a vida está ai para ser enfrentada, dia a dia, mas ainda assim, gostaria de ter algumas certezas. Na verdade, até sei o que não quero mais para mim. E que algumas vontades são muito difíceis de realizar. Mas normalmente me sinto perdida em mim mesma, tentando acertar a todo momento. Hoje estou de folga, para curtir minha mãe, que completa 59 anos amanhã. Mas acordei às sete da manhã com mensagens das colegas de universidade me perguntando sobre trabalhos da faculdade. Não dormi mais, fiquei matutando como resolver a situação e passei o dia na internet, terminando os trabalhos ao lado da colega que também estava de folga, mas não conseguiu folgar porque carrega um senso de responsabilidade tão grande quanto o meu. Onde iremos parar, eu e ela, me pergunto. Nos preocupando com quem nem sabe que existimos. Ou será que no fundo estamos nos preocupando é com ...

diário de uma aluna de gastronomia - capítulo 2

Impossíveis cubos milimétricos A primeira informação que se tem ao iniciar a faculdade de gastronomia é a importância de estar sempre uniformizado na cozinha. Unhas curtas, sem esmalte e cabelos presos são tão fundamentais quanto a calça xadrez, a camiseta, o dólmã e o avental brancos em algodão, a touca e o toque - o chapéu de cozinheiro. O dos professores é maior, mais bonito e impõe respeito. Na cozinha, todos lutam por aquele toque.  Pois bem, a segunda lição é saber empunhar a faca do chef, o principal instrumento do cozinheiro. Cabe ao dono cuidar dela com carinho, afiando-a antes de cada trabalho, com a ajuda de uma boa pedra, um tanto de força e paciência. São diferentes polegadas, materiais, cores, preços, basta escolher a combinação que mais te agrada.  Habilidades Nas aulas de habilidades, tivemos uma manhã inteira para deixar nossas facas tinindo. Primeiro recriamos o fio do aço fazendo movimentos infindáveis de vaivém de um lado e do outro da lâmina na pedra...