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no meio do caminho tinha um GPS

Tive um final de semana pra lá de divertido, e olha que foram tantos contratempos. Primeiro me perdi na ida a Piracicaba. Sai da casa da tia com a certeza de que me perderia, mas quando me vi na estrada errada sem saber onde estava, aumentei o volume do rádio para cantarolar Beatles mais alto e me acalmei. Cheguei na casa da irmã para a festa dos sessentinha da mãe com uma hora de atraso, depois de cinco horas de uma viagem que duraria quatro horas. Lá encontrei a vó deitada no sofazinho, esperando a dor de barriga passar. A irmã e a prima estavam preparando guloseimas com a mãe e o pai e o cunhado tinham saído para buscar o chope. Eu cheguei tarde achando que todo mundo estaria lá mas, na verdade, fui a primeira a chegar. A festa foi muito divertida, teve comidinhas gostosas preparadas pelo cunhado e pela irmã, o bolo de camafeu estava divino e os brigadeiros - e o cajuzinho - MaLô fizeram sucesso. O chope de trigo - que a tia não gostou - acabou primeiro. E eu bebi. Bebi até cair. Fu...

não precisa chorar

Outro dia minha vó chorou no telefone. Não queria morrer sem ver a neta mais velha casada e por isso me contou que estava fazendo orações por mim. E começou a chorar. Fiquei muda. Depois respirei fundo e disse que estava bem, que era feliz assim etc e tal e ela desligou, mas não me pareceu convencida. Quer dizer, para ela, nascida em 1932, uma mulher de 34 anos morando sozinha, pagando as contas, sem ninguém para cuidar dela é quase um pecado. Não tá certo. Não presta. O que ela não entende - e não adianta explicar - é que essa minha geração cresceu assim. Mesmo que tenhamos mães que foram criadas pelas nossas avós para casar, elas nos criaram para estudar, ter uma profissão além de casar e ter filhos e nós, provavelmente, criaremos nossos filhos para serem o que desejarem porque sabemos que ninguém completa ninguém. Que a baboseira de ser um todo e se bastar não é tão baboseira assim, porque só conseguimos amar alguém de verdade - qualidades e defeitos - se respeitamos a pessoa que so...

escapadas estreladas

"A saudade da família crescia para ser saciada só na próxima folga" O relógio batia seis da tarde e as meninas já estavam impacientes. De repente, o barulho da chave na porta e o buona notte do pai, que ia direto para o banho, vestia a roupa de fim de semana, colocava o boné na cabeça e carregava as malas para o carro, enquanto a mãe terminava de embalar os lanches e guardava na sacola o cantil azul com água gelada.  Devidamente acomodados, partiam rumo ao interior, para um feriado em família. Não sem antes enfrentar pelo menos uma hora de congestionamento da casa deles até o início da rodovia. Iam ouvindo as notícias do trânsito na tradicional rádio enquanto isso.  Na estrada, a trilha sonora era previamente escolhida pelo pai e administrada pela mãe, responsável por virar a fita cassete assim que terminava um dos lados. Clássicos italianos, rock dos anos 1960 e músicas infantis animavam a viagem. Seriam longos 500 quilômetros até a lombada que indicava que o sítio do no...

mais um capítulo do diário

Nuggets nunca mais Seguir uma dieta saudável não é nada fácil, mas se tem uma coisa que aprendi no curso de gastronomia é que é sempre melhor cozinhar o alimento em casa, de preferência usando ingredientes frescos, do que culpar a falta de tempo e comer porcaria. Nuggets, hambúrguer pronto, macarrão instantâneo e bolo de caixinha nunca mais. E para combinar ingredientes não precisa ser nenhum expert; basta pesquisar receitas e usar a imaginação: qualquer passo que você der em direção à cozinha já é uma conquista, ainda que você não saiba muito sobre nutrição.  Outro dia, testei uma receita de biscoito de fubá que vi na tevê. Pensei: "Que delícia deve ser combinar aveia e fubá e ainda aliar as propriedades do óleo de coco ao sabor adocicado do melado de cana". Não consegui me conter e num sábado de manhã, antes de sair para o plantão, juntei os ingredientes que tinha em casa e assei os biscoitinhos. Foi bom desapegar da manteiga e do açúcar.  Ingredientes coringa No dia...

minha doce terapia

O calor era tanto que resolvi fazer faxina depois de chegar em casa do trabalho. Só fui terminar lá pelas dez da noite. Depois de um banho refrescante, preparei uma vitamina, cortei um pedaço do pão de banana com aveia e sentei no sofá, procurando alguma coisa banal para ver na tevê. O dia tinha sido tenso. Problemas corriqueiros da rotina de um jornal que poderiam ser resolvidos num piscar de olhos se as pessoas se colocassem umas no lugar das outras. Enquanto limpava ensaiava discursos na mente. Pensei em tudo o que já aconteceu nesses 12 anos de jornalismo, em como amadureci como pessoa e cresci como profissional. Não sinto mais tanto medo. E isso é uma coisa boa. Se deixar o jornal amanhã, seguirei com a cabeça erguida e a sensação de sempre ter feito o meu melhor. Eu entendo o medo em decepcionar o outro, convivo com ele desde sempre. Mas hoje aprendi a me dar mais valor, a reconhecer que, em alguns casos, o que alguns consideram meus defeitos, como a mania de organização e perfei...

Como vejo a cidade

Passando pelo Calçadão de Londrina, numa manhã dessas, me lembrei do quão provinciana uma cidade pode ser. Encontrei pelo caminho os senhores aposentados que tomam sol nos bancos de alvenaria em frente às lojas, enquanto papeiam sobre os mais diversos temas, desde a rodada do campeonato de futebol até a política, a economia do País e o valor da conta do supermercado, "um absurdo".  Me deparei com a correria dos trabalhadores que precisam cruzar o centro da cidade para chegar ao terminal urbano e com as donas de casa que deixam o bairro para aproveitar as liquidações das grandes redes varejistas da rua Sergipe.  O retratista e seu pequeno cavalinho de brinquedo continuam estacionados na esquina da rua Rio de Janeiro, no final da praça Marechal Floriano Peixoto - mais conhecida como praça da Bandeira -, à espera de alguém que precise de uma foto 3x4 em tempos digitais.  Ao atravessar a praça, fiz o sinal da cruz em frente a Catedral, notando o grafite em uma das paredes ...

diário de uma aluna de gastronomia chocolatudo

Bolo de chocolate Todo mundo que gosta de cozinhar tem pelo menos uma receita de bolo de chocolate na manga para aquelas tardes de domingo em que a vontade de comer um docinho bate mais forte. Pode ser o bom e velho nega maluca, pode ser a primeira receita que aparecer na pesquisa da internet, pode ser aquela delícia que a avó preparava e até um bolo de caneca de micro-ondas que mata a lombriga rapidinho. No meu singelo caderno de receitas - que, admito, precisa de mais atenção e cuidados - tenho umas quatro ou cinco receitas de bolo de chocolate diferentes. A melhor delas, na minha opinião, é a que leva rum na massa; a primeira que aprendi a preparar sozinha, depois de assistir um programa da cozinheira Ofélia na tevê quando ainda era criança.  Coringa Acertei esse bolo de primeira e desde então ele tem sido meu aliado quando quero agradar com o tal bolo de chocolate. Ele fica firme e doce na medida certa e melhor ainda quando regado com uma cobertura bem cremosa - de chocola...