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um velho rascunho inacabado (ou mais do mesmo)

Estou aqui, em mais um momento de pura ansiedade, sem dormir direito, pensando em tudo o que aconteceu para eu chegar até esse momento em particular. Revendo fotos, relendo textos, relembrando histórias que agora pertencem ao passado. De verdade, tive um bom passado. Mas quero construir um futuro ainda melhor. Tão divertido quanto aquele carnaval interminável ou as noite de litrão. Foram muitas as fases, os amigos. Alguns sumiram e voltaram, outros simplesmente sumiram. Uns para pior e outros para melhor. Ainda assim, sinto falta de todos, em alguns momentos. Quando me lembro da vizinha que almoçava comigo aos domingos ou de quando aprendi a nadar. Lembro das paixões platônicas (e quantas foram) e como eu nunca consegui realizá-las. De como meti os pés pelas mãos quando deveria ter simplesmente seguido o curso da vida. Precisei errar muito para aprender. E ainda me pego cometendo os mesmos erros de vez em quando. A diferença é que hoje consigo perceber isso e tentar evitar ao máximo o ...

au revoir dois mil e crise

Esse ano foi bem maluco: troquei a faculdade de gastronomia pelo curso de confeitaria, fiquei doente, precisei abrir os tímpanos – literalmente – para poder voltar a me ouvir e me curei preparando bolachinhas amanteigadas ao lado da prima caçula. Ela, sim, que como eu apostou na cozinha, se formou gastrônoma. Quem sabe um dia trabalharemos juntas em outra cozinha que não a do meu apartamento – apertadinha. Merecemos espaço para abrir e cortar a massa quebradiça que leva muita manteiga e derrete na boca depois de assada.  Outra maluquice de 2015 foi aprender a dançar flamenco – e me apresentar em frente a uma centena de pessoas, em especial, a fofurinha de três anos que ficou vidrada nas castanholas. Não as minhas, claro, sou novata no sapateado espanhol. Mas foi errando e acertando passos nas aulas de dança que entendi que não é preciso ser perfeito para ter sucesso, mas é preciso dedicação.  Das duas professoras – de confeitaria e flamenco – sempre ouvia que tinha que ter a...

calmaria

E se eu te dissesse que aprendi a agradecer até o que de ruim me acontece. E se eu te dissesse que não quero mais brigar, que quero te mimar só para ver um sorriso teu. E se eu te dissesse que cansei da rotina, que sinto que aprendi tudo o que podia onde estou e que preciso mudar. E se eu te dissesse que sei que o dinheiro é importante e que a segurança deixa a vida mais fácil, mas que no fundo eu queria mesmo era viajar para bem longe só para poder voltar e contar novas histórias. E se eu te dissesse que ainda tenho medo de ficar sozinha, mas que tenho certeza que darei conta. E se eu te dissesse que amo meus amigos como irmãos. E se eu te dissesse que vi meus pais agindo como crianças que ganharam o presente dos sonhos.  E se eu te dissesse que tudo o que eu quero para a vida é sorrir pelo menos uma vez por dia. E ver o amigo abandonar a cara feia e rir com a barriga de vez em quando. E se eu te dissesse que sinto saudade o tempo todo e gostaria de repetir alguns momentos mesmo s...

no meio do caminho tinha um GPS

Tive um final de semana pra lá de divertido, e olha que foram tantos contratempos. Primeiro me perdi na ida a Piracicaba. Sai da casa da tia com a certeza de que me perderia, mas quando me vi na estrada errada sem saber onde estava, aumentei o volume do rádio para cantarolar Beatles mais alto e me acalmei. Cheguei na casa da irmã para a festa dos sessentinha da mãe com uma hora de atraso, depois de cinco horas de uma viagem que duraria quatro horas. Lá encontrei a vó deitada no sofazinho, esperando a dor de barriga passar. A irmã e a prima estavam preparando guloseimas com a mãe e o pai e o cunhado tinham saído para buscar o chope. Eu cheguei tarde achando que todo mundo estaria lá mas, na verdade, fui a primeira a chegar. A festa foi muito divertida, teve comidinhas gostosas preparadas pelo cunhado e pela irmã, o bolo de camafeu estava divino e os brigadeiros - e o cajuzinho - MaLô fizeram sucesso. O chope de trigo - que a tia não gostou - acabou primeiro. E eu bebi. Bebi até cair. Fu...

não precisa chorar

Outro dia minha vó chorou no telefone. Não queria morrer sem ver a neta mais velha casada e por isso me contou que estava fazendo orações por mim. E começou a chorar. Fiquei muda. Depois respirei fundo e disse que estava bem, que era feliz assim etc e tal e ela desligou, mas não me pareceu convencida. Quer dizer, para ela, nascida em 1932, uma mulher de 34 anos morando sozinha, pagando as contas, sem ninguém para cuidar dela é quase um pecado. Não tá certo. Não presta. O que ela não entende - e não adianta explicar - é que essa minha geração cresceu assim. Mesmo que tenhamos mães que foram criadas pelas nossas avós para casar, elas nos criaram para estudar, ter uma profissão além de casar e ter filhos e nós, provavelmente, criaremos nossos filhos para serem o que desejarem porque sabemos que ninguém completa ninguém. Que a baboseira de ser um todo e se bastar não é tão baboseira assim, porque só conseguimos amar alguém de verdade - qualidades e defeitos - se respeitamos a pessoa que so...

escapadas estreladas

"A saudade da família crescia para ser saciada só na próxima folga" O relógio batia seis da tarde e as meninas já estavam impacientes. De repente, o barulho da chave na porta e o buona notte do pai, que ia direto para o banho, vestia a roupa de fim de semana, colocava o boné na cabeça e carregava as malas para o carro, enquanto a mãe terminava de embalar os lanches e guardava na sacola o cantil azul com água gelada.  Devidamente acomodados, partiam rumo ao interior, para um feriado em família. Não sem antes enfrentar pelo menos uma hora de congestionamento da casa deles até o início da rodovia. Iam ouvindo as notícias do trânsito na tradicional rádio enquanto isso.  Na estrada, a trilha sonora era previamente escolhida pelo pai e administrada pela mãe, responsável por virar a fita cassete assim que terminava um dos lados. Clássicos italianos, rock dos anos 1960 e músicas infantis animavam a viagem. Seriam longos 500 quilômetros até a lombada que indicava que o sítio do no...

mais um capítulo do diário

Nuggets nunca mais Seguir uma dieta saudável não é nada fácil, mas se tem uma coisa que aprendi no curso de gastronomia é que é sempre melhor cozinhar o alimento em casa, de preferência usando ingredientes frescos, do que culpar a falta de tempo e comer porcaria. Nuggets, hambúrguer pronto, macarrão instantâneo e bolo de caixinha nunca mais. E para combinar ingredientes não precisa ser nenhum expert; basta pesquisar receitas e usar a imaginação: qualquer passo que você der em direção à cozinha já é uma conquista, ainda que você não saiba muito sobre nutrição.  Outro dia, testei uma receita de biscoito de fubá que vi na tevê. Pensei: "Que delícia deve ser combinar aveia e fubá e ainda aliar as propriedades do óleo de coco ao sabor adocicado do melado de cana". Não consegui me conter e num sábado de manhã, antes de sair para o plantão, juntei os ingredientes que tinha em casa e assei os biscoitinhos. Foi bom desapegar da manteiga e do açúcar.  Ingredientes coringa No dia...