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diário de uma aprendiz de confeiteira

Técnicas culinárias e cheesecake  No final de 2015 terminei meu curso de confeitaria. Na prova teórica final precisei descrever pelo menos 20 técnicas culinárias que aprendi durante o ano. E enquanto escrevia o relatório – escrever é minha praia, então pensa só o tamanho do texto -, percebi que aprendi muito mais do que poderia imaginar.  Já na prova prática, fiquei com a missão de preparar um cheesecake com calda de frutas vermelhas. Eu teria que seguir a receita da professora, bem diferente daquela que eu havia feito na aula e que devoramos com gosto.  Então lá fui eu interpretar a receita e executá-la, passo a passo. O resultado final ficou bem gostoso, mas poderia ter caprichado mais em algumas técnicas, como a professora explicou. Em resumo, tirei uma nota alta e fiquei bem feliz.  Depois de avaliar as quatro alunas e de degustarmos nossas criações e lavarmos toda a louça pela última vez no ano, foi o momento da despedida.  Plano B Em seus comentário...

fugaz

Quando alguém morre, relembramos nossas saudades e percebemos como a vida é frágil e fugaz. Fiquei sabendo da sua morte em um fim de tarde inacabável de trabalho. Por uma mensagem no celular. Uma dessas praticidades da modernidade, que em nada substituem o carinho da voz, mas tudo bem. Como não sei lidar muito bem com a morte, respondi com outra mensagem e logo comprei a passagem pelo site da companhia. Tudo muito prático e rápido. E enquanto fechava duas páginas de sábado com as últimas notícias de política, pensei na dona Isabel. Ela não era minha vó mas esteve sempre presente. Pouco conversei com ela, mas sempre me entretive com as suas histórias, contadas pelos meus primos. Eles tinham duas vós. A nossa e a vó Isabel. Que morou com eles desde sempre. Que dividiu quarto, fez comida, lavou roupa e ensinou a aproveitar o que a vida tem de melhor, ainda que na terceira idade. Ela era a senhorinha sempre bem vestida, com cabelos bem penteados, unhas feitas, batom na boca. Ela se arrumav...

ombros

Meu corpo dói. Faz um tempo já. Eu continuo ignorando e ele continua doendo. Eu durmo mal, levanto quebrada e vou da cama pro sofá. E do sofá pra cadeira desconfortável em frente ao computador. Por lá fico boas horas. E como sou preguiçosa, levanto só pra beber água e ir ao banheiro. Depois volto pra casa, pro sofá, pra cama. E assim tem sido. Duas vezes por semana danço. Bato palmas e pés e giro a saia longa em frente ao espelho. E só. Um dia até gostei de caminhar por ai, hoje tenho preguiça e, pra ajudar, o corpo dói. Ano passado, nessa mesma época, pós-Carnaval, fiquei surda. Descobri uma sinusite que desde então tem sido minha melhor amiga. Precisei furar os tímpanos e ainda tomo banho com algodão no ouvido e não posso mergulhar. Aplaco o calor desse verão de El Niño com a água do chuveiro mesmo. Há dois dias tenho sentido uma dor lancinante nos ombros. Será a tensão do jornalismo? Serão os músculos que não se exercitam? Sei lá. Só sei que dói e penso na surdez de 2015 e que nada ...

um carnaval

Tempo, tempo, tempo. Tem pouco, tem de sobra. Não tem. Não sei. Só sei que está passando. E dá a sensação de muito não para pouco sim. De não saber o que se faz aqui e, às vezes, lembrar e sorrir. E amansar o medo, desafogar o aperto no peito. Simplesmente tomar uma cerveja na companhia de gente querida até acabar a última garrafa no fundo do isopor cheio de gelo derretendo devagar. Será que o tempo é o que precisamos para fazer tudo o que queremos? Ou será que o tempo não tem nada a ver com isso? Inventamos desculpas para justificar escolhas. Inventamos, inventamos, inventamos. E escolhemos, escolhemos, escolhemos. E vivemos, vivemos, vivemos. Da melhor maneira que sabemos. Mas que o tal do ponteiro está passando rápido, isso tá. Melhor correr atrás antes que seja tarde? Ou melhor ir bem devagar para curtir o passeio, já que a graça está na viagem e não no destino? Sei lá. Às vezes eu tenho de sobra: tempo, amor, vida. Às vezes me falta tanto que fica até difícil respirar. Vou seguind...

um velho rascunho inacabado (ou mais do mesmo)

Estou aqui, em mais um momento de pura ansiedade, sem dormir direito, pensando em tudo o que aconteceu para eu chegar até esse momento em particular. Revendo fotos, relendo textos, relembrando histórias que agora pertencem ao passado. De verdade, tive um bom passado. Mas quero construir um futuro ainda melhor. Tão divertido quanto aquele carnaval interminável ou as noite de litrão. Foram muitas as fases, os amigos. Alguns sumiram e voltaram, outros simplesmente sumiram. Uns para pior e outros para melhor. Ainda assim, sinto falta de todos, em alguns momentos. Quando me lembro da vizinha que almoçava comigo aos domingos ou de quando aprendi a nadar. Lembro das paixões platônicas (e quantas foram) e como eu nunca consegui realizá-las. De como meti os pés pelas mãos quando deveria ter simplesmente seguido o curso da vida. Precisei errar muito para aprender. E ainda me pego cometendo os mesmos erros de vez em quando. A diferença é que hoje consigo perceber isso e tentar evitar ao máximo o ...

au revoir dois mil e crise

Esse ano foi bem maluco: troquei a faculdade de gastronomia pelo curso de confeitaria, fiquei doente, precisei abrir os tímpanos – literalmente – para poder voltar a me ouvir e me curei preparando bolachinhas amanteigadas ao lado da prima caçula. Ela, sim, que como eu apostou na cozinha, se formou gastrônoma. Quem sabe um dia trabalharemos juntas em outra cozinha que não a do meu apartamento – apertadinha. Merecemos espaço para abrir e cortar a massa quebradiça que leva muita manteiga e derrete na boca depois de assada.  Outra maluquice de 2015 foi aprender a dançar flamenco – e me apresentar em frente a uma centena de pessoas, em especial, a fofurinha de três anos que ficou vidrada nas castanholas. Não as minhas, claro, sou novata no sapateado espanhol. Mas foi errando e acertando passos nas aulas de dança que entendi que não é preciso ser perfeito para ter sucesso, mas é preciso dedicação.  Das duas professoras – de confeitaria e flamenco – sempre ouvia que tinha que ter a...

calmaria

E se eu te dissesse que aprendi a agradecer até o que de ruim me acontece. E se eu te dissesse que não quero mais brigar, que quero te mimar só para ver um sorriso teu. E se eu te dissesse que cansei da rotina, que sinto que aprendi tudo o que podia onde estou e que preciso mudar. E se eu te dissesse que sei que o dinheiro é importante e que a segurança deixa a vida mais fácil, mas que no fundo eu queria mesmo era viajar para bem longe só para poder voltar e contar novas histórias. E se eu te dissesse que ainda tenho medo de ficar sozinha, mas que tenho certeza que darei conta. E se eu te dissesse que amo meus amigos como irmãos. E se eu te dissesse que vi meus pais agindo como crianças que ganharam o presente dos sonhos.  E se eu te dissesse que tudo o que eu quero para a vida é sorrir pelo menos uma vez por dia. E ver o amigo abandonar a cara feia e rir com a barriga de vez em quando. E se eu te dissesse que sinto saudade o tempo todo e gostaria de repetir alguns momentos mesmo s...