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melancolia

Eu sonhei contigo esta noite. Foi um sonho maluco, como têm sido meus sonhos ultimamente - fruto dos efeitos do rescue. Mas no sonho, como na vida real, você foi embora sem deixar rastros. Desta vez eu me desesperava porque tinha perdido a câmera fotográfica com fotos da sua visita. Eu procurei por toda parte - engraçado que a procura se deu num dos quartos de visita da antiga casa da minha vó, que não existe mais. Duas saudades num só sonho. Talvez você tenha sido o personagem principal do meu sonho porque vi uma foto sua ontem. Ou porque vira e mexe você volta ao meu pensamento. E como eu queria te esquecer. Seria importante para eu seguir meu caminho. Mas, por alguma razão que desconheço, você ainda está aqui. Tenho a sensação de que nunca partirá. Acordei com o peito apertado e vontade de chorar. Fui fazer faxina ao invés disso. Ouvindo uma playlist que tinha um pouco de você. Senti vontade de chorar com a vassoura na mão, mas não chorei. Cantei bem alto. Agora estou com vontade de...

no lugar do outro

Todo mundo tem uma opinião sobre a vida da gente. A gente opina sobre a vida do outro o tempo todo. Às vezes a gente pede opinião, outras precisa ouvir o que o outro tem a dizer. Eu tomei uma decisão que diz respeito só a mim, mas um monte de gente lamenta por mim, o que torna tudo mais difícil. Inclusive por isso foi dolorido decidir. Mas uma vez decidida, coloquei na cabeça que preciso levar meus desejos adiante, independentemente da vontade alheia. Porque a gente sempre quer o que a gente acha que é melhor para o outro, e quase nunca se coloca no lugar da pessoa. Estou tentando exercer essa troca e pensar porque algumas pessoas agem como agem. Nem sempre é fácil aceitar, mas é preciso. Por amor e respeito ao próximo, especialmente. Nos dias em quem estive de molho, ouvi diversas opiniões diferentes sobre como deveria ter agido para não deixar a situação chegar ao ponto em que chegou. E quer saber, dessa vez tenho certeza de que fui adulta o suficiente para escolher o melhor caminho ...

doente

Eu tomei a decisão depois de muito pensar: não sou mais uma universitária. Tranquei a matrícula do segundo ano de gastronomia e me matriculei num curso de confeitaria com aulas apenas duas vezes por semana. Também me matriculei em aulas de flamenco, que há anos faziam parte dos meus planos. Desde que escrevi uma matéria sobre como a flamencoterapia havia mudado a vida de senhorinhas londrinenses, que reconquistaram seus corpos e sua autoestima dançando. São duas novas apostas que irão cobrar muito menos de mim este ano, assim espero. E desde que decidi desacelerar, meu corpo tem me dado respostas de que foi a melhor decisão a tomar este ano. Porque se eu não tivesse readequado meus sonhos (e não desistido, como alguns podem pensar), eu não sei como estaria agora. Pela primeira vez na vida - isso mesmo, primeira - eu estou doente. Um estado físico - e psicológico - desconhecido para mim até então. E estas últimas semanas têm sido das mais difíceis. Precisar parar, "internar-se...

triste

Tomar decisões nunca é um momento confortável. Ainda mais quando você mesmo provoca situações das quais tem vontade de sair depois. Entender o porquê, respeitar seus limites e abraçar as mudanças fazem parte do processo. Mas quem disse que dá para enfrentar isso tudo sem tristeza, não sabe de nada. Carregamos nossas vontades e uma delas é ser um pouco melhor a cada dia. E não decepcionar, principalmente a nós mesmos. Mas alguns desafios tornam-se grandes demais para contorná-los de uma vez só. São necessárias diversas voltas no quarteirão até acharmos um local fácil para estacionar. Eu sei fazer balizas. Aprendi com anos de prática. Ainda assim, suo cada vez que tenho que realizar uma no trânsito. Com as decisões é a mesma coisa. Mesmo sabendo que só cabe a mim escolher, que a escolha afetará unicamente a mim e que eu terei de me responsabilizar pelo que acontecer depois, eu suo. E fico triste. Me parece ridículo mas, na verdade, é simplesmente humano. 

moranguinho suculento

Juliana queria surpreender o marido Wilson em seu primeiro aniversário de casamento. Ela era uma moça simples, que sempre morou no sítio com os pais e os dois irmãos, um vereador e o outro policial na cidadezinha de interior.  Todo mundo que conhecia Juliana sabia o quanto ela apreciava as coisas muito bem-feitas. Fosse o arroz e feijão de todo dia, a roupa lavada e passada com esmero, o vestido e o sapato da moda, a maquiagem e o cabelo impecáveis antes de sair de casa. Simples era sua vida, não sua personalidade.  Pois enquanto Juliana se preocupava com os afazeres da casa, Wilson, agricultor que sempre trabalhou com o pai e o irmão na terra que um dia foi do nonno italiano, saiu cedo de casa naquele dia. Vestiu a roupa do sítio, calçou a botina, colocou o boné na cabeça, deu um beijo na esposa - que ainda dormia - tomou sua cumbuquinha de café com leite e pão, subiu na caminhonete e partiu. Era o primeiro dia da colheita do milho e ele nem imaginava que um jantar especial...

quase uma viking

Nunca pensei que um dia conheceria as terras geladas da Islândia. Mas tai mais uma história bacana para contar aos meus filhos, quando eles chegarem ao mundo. E dai que os islandeses são bem parecidos com seus antepassados vikings. Os homens são altos, loiros, barbudos e em forma. Lindos. As mulheres também são lindas e além da simpatia, a maçã do roso ressaltada me chamou a atenção, talvez porque remetiam um certo ar europeu que eu mesma carrego. Não conversei com os nativos pois na única manhã de folga na viagem não tinha ninguém na rua da capital. Tudo bem, era domingo. E inverno. E apenas 8h30 da manhã (lá o sol nasce às 10). Mas imagino que sejam pessoas divertidas. Eles gostam de beber. Encontrei garrafas e copos de cerveja escondidos próximos a diversos pubs da capital Reykjavík que indicavam a curtição da noite passada. E os colegas que viajaram comigo - e se aventuraram nos pubs - contaram que sim, eles adoram uma cerveja. Elas também. A h, preciso explicar o que fui fazer na ...

e tudo acaba em pizza

Boletim azul Para este segundo - e último ano - de estudante de Gastronomia pretendo me deixar levar pelas delícias preparadas nas aulas e não tanto pelas notas. Se no primeiro ano priorizei meu boletim azul, nesta segunda etapa quero manter o bom desempenho, mas, principalmente, cultivar a paixão pela cozinha.  Não sei bem o que me espera no próximo semestre. Sei que teremos uma maratona gastronômica para a qual nos preparamos no primeiro ano e que terá como tema o pão. O grupo do qual faço parte será responsável por duas oficinas: de pizza e focaccia. Acho que será uma das mais concorridas, já que todo mundo que conheço adora uma pizza. Mas teremos diversas variedades de pães para o público degustar e aprender a preparar. Afinal, somos oito grupos na sala.  Ao vivo Como não participei da maratona do ano passado, fico apenas com as palavras do professor de que serão dias intensos, de muito trabalho. E que vai ter muita gente enrolando enquanto outros tantos estarão com ...