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bala de coco

Eu tenho muitas tias, entre as italianas, a madrinha e as tias de coração, e cada uma delas me ensinou - e ensina - algo diferente todo dia. Esta tia em especial é a mais mansa de todas. Mansa no bom sentido porque a voz doce sussurando no meu ouvido sempre trouxe bons conselhos e histórias divertidas. E a paciência - que ela tem de sobra e eu tenho de menos - para ouvir minhas lamúrias. Nós convivemos pouco quando eu era criança. Eu crescia na metrópole, ela criava sua filha única no interior. Mas lembro sempre do carinho. Do beijo leve na bochecha seguido do abraço e dos doces. Bombons, bolos, pirulitos de chocolate, bala de coco. Me lembro de férias inesquecíveis que passei na casa dela num verão. Eu, minha irmã e as primas aprontando todas no quintal de terra batida que tinha uma árvore linda e a piscininha de plástico da prima morena que queria ser loura. Foi uma semana de brincadeiras mil, de passeios de bicicleta pela pacata Cândido Mota, de gengiskan, geladinho e bolo floresta ...

hidratando

Que vida estranha tenho eu. Na primeira semana depois da volta às aulas, cheia de dúvidas sobre continuar ou não o tal curso de gastronomia, se vale a pena tanto estresse só para aprender a cozinhar, etc e tal, me deparo com o aniversário de sete anos da minha querida amiga Clarice. Foi uma tarde de cinema, balões, sanduíches e coroas de princesas. E algumas idas ao banheiro depois de muito suco de uva, o preferido da baixinha. Pois passar esse tempo com a Clari e suas amiguinhas de sete anos me trouxe a tranquilidade que eu precisava para colocar as ideias em ordem. Não me entenda mal, segunda-feira vai chegar e com ela os problemas do dia a dia, mas simplesmente assistir um desenho na telona e ver as meninas brincando num circuito maluco que tem até piscina de bolinhas me salvou de mim mesma neste sábado gelado de inverno. Pela manhã assisti uma aula muito divertida sobre técnicas de bar e até divaguei no trabalho que o professor passou em sala. Ele perguntou o que era coquetel. Eu, ...

união que dá força

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Quando penso em cooperativismo, recordo das férias no interior, na casa dos tios agricultores. Lembro de um dia ter sido convidada a acompanhar a colheita de soja, numa tarde de muito calor, em meio ao feriado de Carnaval.  Seguimos com meu tio de caminhonete até a plantação, onde os primos colhiam o grão, para levar o lanche da tarde para eles. De um lado, o mais velho, pilotando a colheitadeira. Do outro, o mais novo, dirigindo o caminhão que recebia os grãos que seriam transportados até a cooperativa da cidade.  Eu decidi subir no caminhão e me jogar no meio da soja, achando aquele ritual da colheita pura diversão. Depois que a caçamba do caminhão já estava cheia, acompanhei o primo até a cooperativa, onde a soja da família foi descarregada. Lá ela ficaria guardada até o tio decidir vender algumas sacas, quando o mercado estivesse favorável à commoditie.  Aquela pequena cooperativa nasceu para dar suporte à produção agrícola da colônia de imigrantes italianos e hoje...

a história de duas isabellas

Quando soubemos da chegada da nossa Isabella, a alegria tomou conta da família. Desde os primeiros chutes na barriga da mãe até a notícia de que ela havia nascido quase um mês antes do previsto. Um ano depois, nos preparamos para comemorar seu primeiro aninho, com a família toda presente no almoço pensado com tamanho carinho pelos pais e pela tia coruja. Uma bailarina tomou conta do salão nos detalhes da decoração e a pequena, que apenas engatinhava, tornou-se, literalmente, a pessoa mais importante da família na hora do parabéns. É claro que ela não entendeu nada e quem teve que assoprar a velinha foi a mamãe, mas ela estava linda e apontava cada vez que reconhecia uma música "cantada" pela galinha pintadinha. Nós nos empanturramos de brigadeiro para comemorar a vida da pequena que alegra nossas semanas. Ela continua crescendo linda e forte. Já caminha com os próprios pés e corre quando brincamos de pega-pega. Adora esconder e cai na risada quando fazemos cócegas em sua b...

bendita simplicidade

Hoje há uma preocupação tremenda com a segurança alimentar e o valor nutricional da comida que colocamos no nosso organismo. Desde a escolha do alimento até o modo de preparo. Desde a simples vontade de comer um um doce à culpa imediata por comê-lo quase sempre para aliviar um momento de estresse.  Mas ao lembrar dos almoços na casa da avó quando era pequena, do avô pedindo um toucinho torradinho para incrementar o arroz e feijão de cada dia, percebo que saudáveis eram eles, que se alimentavam do prato básico do brasileiro, acompanhado basicamente de verduras cozidas e, quando sobrava um dinheirinho, um bife. Sobremesa era fruta. E não podiam faltar um pão com manteiga e café quentinho nos lanches da manhã e da tarde. Minha avó me conta que ao crescer na casa comandada pela mãe italiana, que tinha que alimentar os oito filhos com o pouco dinheiro que o marido português trazia da fábrica de velas, não podia existir desperdício. E mesmo morando na metrópole, o quintal da nonna em t...

filme

Quase sempre me sinto como se estivesse dentro de um filme. Às vezes sou personagem principal, outras apenas a coadjuvante de alguma outra história que não me pertence. Normalmente, quando estou no filme, sinto como se tudo aquilo que acontece não me pertencesse. Meu corpo apenas obedece aquilo que outra mente manda, já que a minha própria mente avalia tudo como se fosse outra pessoa vivendo aquilo tudo. E na verdade, esse filme recorrente nada mais é do que a vida sendo vivida no automático. Só nos momentos em que paro para contemplar é que me dou conta do verdadeiro filme: a vida real. E ela é bonita, cheia de colorido, pessoas queridas, comida boa, música, natureza e carinho. Essa vida é que move minha mente para querer sair da rotina. E consequentemente minha mente move meu coração e meu corpo. Isso é raro, pois o filme precisa de sequência. Precisamos, todos, levantar, trocar de roupa, colocar algo no estômago e iniciar o dia. Temos uma vaga ideia de como ele será, dado o roteiro ...

um dólmã

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Em todo o meu desespero para tornar a vida mais leve, resolvi colocar uma antiga vontade em prática e iniciei uma faculdade de gastronomia. Pelos próximos dois anos acordarei cedo e passarei as manhãs na cozinha, preparando delícias ao lado da prima e dos jovens (e alguns não tão jovens) colegas de universidade.  Preguiçosa que sou, me pergunto onde tudo isso vai dar. Mas ainda estou naquela fase inicial do relacionamento quando tudo é apaixonante e adoro passar meu dólmã e preparar a mochila para ir para "escola". Apesar de "suadas", as aulas são a parte mais refrescante do meu dia, que nem sempre tem hora para acabar. Nesta empreitada, conto com a companhia da prima caçula, que também decidiu aprender a comandar as panelas. Acordamos cedo juntas, vestimos o uniforme juntas e rimos juntas das nossas trapalhadas na cozinha. Não, não ficamos no mesmo grupo e tive que reaprender a conhecer pessoas e fazer novas amizades. Difícil, já que decidi que tenho amigos sufic...