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um grande garoto

Passa tanto tempo e aquela figura ainda mexe com ela. Vai saber por quê? Tem alguma coisa naquele garoto. Bom, ele não é mais um garoto. Cresceu. Continua crescendo. Ela acompanha de longe. Às vezes ela pensa que ele sabe, mas no fundo ela sabe que ele não sabe de nada. Ainda assim ela acompanha. Eles cresceram juntos. É engraçado de ver, ela pensa. Porque ela tinha medo dele e hoje ele é apenas mais um conhecido. Quer dizer, não é apenas mais um, mas como ele não sabe de nada, ela pode continuar observando de longe. Analisando os sorrisos, as frases, as músicas. E segue a vida. De vez em quando ela lembra daquele primeiro dia. Daquele olhar perdido naqueles olhos. Naquela figura que causava um certo medo. A deixava perdida. Totalmente perdida naquele rosto, naquele corpo. Ele conseguia se impor como se fosse o rei da cocada preta. Ah, como se destacava. Pelo menos para ela. E assim foi. Ele vivendo e ela acompanhando. Um dia os caminhos se cruzavam, ela ficava com medo, abaixava a...

adorável psicose

E de repente minha mãe me fez assistir um seriadinho do Multishow que fala sobre terapia. Mais precisamente da adorável psicose que é a vida da Natália, a dona da série e de histórias que me fazem rir e refletir. Universo paralelo, sitcom, exercícios, o cara de bigode que é tosco mas tem lá o seu charme, entre outros temas malucos que de malucos não têm nada. São, na verdade, a versão engraçada do dia a dia de qualquer humano, porque a Natália, dona também do blog que leva o mesmo nome do seriado, é humana, com H maiúsculo. E justo hoje, que acordei com aquele vazio no peito e vontade de chorar, sentindo aquela peninha básica de mim mesma, tinha um post perfeito para mim. Sobre ego. Sobre a nossa capacidade de pensar somente em nós ainda que esteja caindo o mundo lá fora. E o mais legal é que ela fala sobre ego sem o intuito de parecer boazinha e se tornar altruísta de uma hora para outra. Ela assume seu egoismo e manda ver uma música dos Beach Boys. Foi um alento numa semana ...

eu quero subjetividade

De tanto me apegar às minhas próprias tradições, decidi abandonar tudo este fim de ano. Não vou comer lentilha, não vou comer romã, nem uvas, não vou jogar champagne por trás dos ombros, nem pular ondinhas, apesar da chuva que cai na cidade da garoa. Não vou usar roupa nova, nem lingerie colorida para pedir sei lá o que. No máximo vou guardar uma folha de louro na carteira, se minha vó me der uma. Isso porque precaução nunca é demais. Vou tentar não levantar tantas polêmicas e falar menos durante a festa, apesar de saber que isso é quase impossível. Falando sério, o ano de 2011 foi o que eu construí para ele. O bom e o ruim dele fui eu quem criou. Toda ansiedade e desespero que experimentei no primeiro semestre, quando decidi que do jeito que estava não dava mais. Todo o esforço para dar um passo adiante e conquistar uma mudança importante. Até os sentimentos ruins para com pessoas tão queridas me fizeram crescer e entender e aceitar e virar a pág...

elucubrações sobre o gostar

De repente entedi como funciono. E por que as minhas paixões platônicas nunca deixaram de ser platônicas. Meto os pés pelas mãos. É até engraçado finalmente perceber isso. Mas o momento da descoberta foi muito estranho. Um susto. E o modo como analisei tudo me fez sentir que estou aprendendo alguma coisa quando sento na poltrona marrom. Em posse dessas novas informações (ainda surpreendentes para mim), pretendo não fazer mais confusão com a minha vida e estabelecer metas. Porque aquele gostar romântico que eu cresci acreditando não passa de uma viagem da minha mente. Uma de tantas. E entender isso só pode me ajudar. Aqueles sinais que eu pensava ser uma manifestação do destino não passavam de coincidências. Muito estranho me dar conta disso, finalmente. Parece que uma importante parte de mim se quebrou. Acabou de vez. Mas uma outra metade se revelou sem os delírios da imaginação e consigo imaginar o gostar sem perfeição. Um gostar que vem do acaso. Não estou dizendo que preciso ace...

uma editora

Estou aqui, em mais uma fase de pura ansiedade, sem dormir direito, pensando em tudo o que aconteceu para eu chegar até esse momento em particular. Revendo fotos, relendo textos, relembrando histórias que agora pertencem ao passado. De verdade, tive um bom passado. Mas quero construir um futuro ainda melhor. Tão divertido quanto aquele carnaval interminável ou as noite de litrão. Foram muitas as fases, os amigos. Alguns sumiram e voltaram, outros simplesmente sumiram. Uns para pior e outros para melhor. Ainda assim, sinto falta de todos, em alguns momentos. Quando me lembro da vizinha que almoçava comigo aos domingos ou de quando aprendi a nadar. Lembro das paixões platônicas (e quantas foram) e como eu nunca consegui realizá-las. De como meti os pés pelas mãos quando deveria ter simplesmente seguido o curso da vida. Precisei errar muito para aprender. E ainda me pego cometendo os mesmos erros de vez em quando. A diferença é que hoje consigo perceber isso e tentar evitar ao máximo o so...

o dia em que a Dani viu o Palmeiras jogar

Um carro com quatro palmeirenses fanáticos partiu no Norte do Paraná com destino a São Paulo numa sexta-feira quente de primavera para ver o Verdão jogar. Da turma, apenas a mais velha já tinha vivido a experiência adolescente de torcer como louca para um time que preenche o coração com pequenas alegrias esporádicas. Os outros três viveriam um jogo de futebol no estádio pela primeira vez e eram só ansiedade. Falamos o caminho inteiro. Cantamos, contamos piada, tomamos sorvete, comemos coxinha e bebemos coca-cola. Brincamos com os nomes das cidades enquanto enfrentávamos o trânsito da marginal, que nos deixou presos por mais de uma hora até chegarmos em casa. No meio do caminho, encontramos um trio palmeirense que nos acompanhou na empreitada, com tanta ansiedade e sorriso no rosto quanto nós. Dormimos para aguentar o sábado, que foi interminável. Eu e a Helô dividimos um colchão de ar que mais parecia uma cama elástica e rimos feito palhaças até pegar no sono. O sábado começou com ...

borboletas no estômago

Recebi uma notícia tão boa que ainda parece brincadeira. Uma felicidade tão esperada que parece mentira. Mas não é. E como poderei fazer parte, me sinto, mais do que tudo, honrada. Parece que estava adivinhando quando disse que é impossível não se emocionar com a paixão alheia. Até acho que estou exagerando, mas é que felicidade verdadeira quer mesmo é transbordar. Cada um recebeu a notícia de um jeito, o meu foi sentir uma dorzinha de barriga, mãos suadas e noite sem sono. Revirando na cama, imaginando como poderia tornar o acontecimento ainda melhor. Várias ideias têm passado pela minha cabeça desde a surpresa. Totalmente sem necessidade, eu sei, mas também não sei ser diferente. Só tenho certeza que estes próximos dias serão de pura ansiedade. Tantas mudanças de uma vez só, parece que vou explodir. Ainda bem que são boas notícias. E que não vou perder o acontecimento por nada. É sempre bom, e um privilégio, participar da felicidade de quem se ama. Amo você, querida, e te desejo ...