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dez anos

Eu tava aqui pensando, dez anos é muito tempo? É pouco tempo? É tempo suficiente? Não cheguei a nenhuma resposta. Só que esses dez anos parecem ter voado. Digo isso hoje, depois que eles passaram. Ou melhor, ainda estão passando. Faltam exatamente três meses e dez dias para completar uma década de Folha de Londrina. Uma década de Paraná. Uma década fora da casa dos meus pais. Uma década dividida com muitos. Uma década só minha. Desde que cheguei aqui me pergunto o que vim fazer por aqui. Por que aquele japonês baixinho me escolheu para trabalhar para ele lá na sucursal do Oeste paranaense, onde não tem nada de interessante e ainda assim muitas pautas acontecem. Por que fui uma das poucas repórteres que permaneceu depois daquela onda de demissões em 2004. Onda que levou o japonês baixinho. Por que fui parar no campo, voltei para cidade, fui para o universo paralelo e agora estou econômica e veloz. Por que tudo isso? Mereço tudo isso? Só consigo me perguntar qual o propósito de tudo isso...

texas forever

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Foi assim: eu estava feliz rumo à obesidade mórbida, acumulando 15 kg acima do meu peso normal. Me acostumando a ficar sozinha depois de quatro anos dividindo o apê com a prima. Comendo porcaria para compensar o fato de trabalhar até as nove da noite todo dia. Enfim, tudo caminhava para roupas novas e de um tamanho maior. Mas acontece que eu tenho uma melhor amiga que vivia me dizendo que eu precisava fazer alguma coisa por mim. Dizendo que eu devia melhorar minha alimentação e fazer exercícios. E eu estava com o saco bem cheio de ouvi-la dizer isso todo santo dia que me via. Eu tenho espelho em casa, aliás tenho cinco espelhos em casa, então sei exatamente como estou. E como as roupas 42 de repente ficaram apertadinhas. Mas também sei que se a vontade de mudar não partir de mim, nunca chegarei a lugar nenhum. Pois bem, depois de muita insistência da melhor amiga, que inteligentemente criou um grupo de apoio para que eu não me sentisse assim tão sozinha na batalha, resolvi participar d...

resgatando canarana

Aventura nas Canaranas (22/04/2012) Depois de dormir apenas cinco horas após a polentada e dirigir até Londrina onde tomamos nosso primeiro avião, almoçamos no genérico do Subway no Afonso Pena, onde degustamos um capucino que custou sete reais, enquanto ouvíamos que nosso voo estava atrasado. Mesmo arremetendo umas três vezes antes de pousar em Congonhas dez minutos antes da partida do terceiro avião, chegamos em Goiânia no horário para o ônibus que chegará em Canarana às 10 da manhã. Amendoim, goiabinhas, suco de laranja, pão na chapa com manteiga Aviação, coca, mate e quibes esquisitos forraram nossos estômagos antes de embarcarmos no Xavante rumo ao coração do Mato Grosso. Pernas e pés inchados, lente coçando no olho e um soninho embalado pelo sacolejar do ônibus. E um coração ansioso pela última semana de férias em companhia de pessoas especiais. Já está sendo uma aventura inesquecível. Tudo o que eu precisava para agitar a vida pacata de quem está sempre à procura. Casinha...

bate coração

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Por um tempo, o cérebro esqueceu do coração batendo dentro do peito. O coração tinha batido tanto e pelas pessoas erradas, que decidiu adormecer. Ele levou uns bons baques de uma só vez. Perdeu avô, a professora e a fuinha, perdeu um jovem especial, perdeu a vizinha. Ele demorou para se recuperar. Até que decidiu transformar dor em esperança. E, principalmente, em aprendizado. Diariamente ele perde a  mãe, o pai, a irmã, a avó. Perde amigos verdadeiros. E diariamente os transforma em seres humanos imperfeitos mas autênticos. E os recupera e os carrega dentro das veias e artérias, cada dia mais fortes para aguentar a pressão. No meio de tudo, ele palpitou diferente quando um outro coração notou sua solidão. Notou sua fragilidade e sua capacidade. Notou sua beleza, sua inteligência, sua mania de usar piada para afastar o medo do desconhecido. Fugaz. Foi um bater mais rápido que o outro, até que o coração acalmou e entendeu que está pronto para continuar batendo. Pela pessoa certa. Pe...

cuidando

Nos últimos três anos estive cuidando da alma e me esqueci do corpo. Esse amigo que suporta - quase sem reclamar - todas as aventuras da minha alma inquieta. Se estou feliz, quero comemorar, se estou triste, quero me recompensar e nesse círculo vicioso, ganhei quilos a mais que estou suando para perder. Nunca antes na minha história pressionei tanto a balança. E isso me assustou. Se com 15 quilos a menos já me imaginava uma solteirona abandonada, imagina agora. É como se não tivesse nenhuma chance. Só que como cuidei da alma nos últimos três anos, entendi, finalmente, que a minha solteirice nunca teve a ver com as gordurinhas e o braço de polenteira. E sim com as neuras de viver sempre confiando na minha imaginação e não em mim. Por isso, estar acima do peso - escolha minha, já que abandonei qualquer exercício e qualquer vontade de comer comida saudável nos últimos tempos - me ajudou a enxergar velhos medos e colocá-los à tona, de uma vez por todas. Um dia um rapaz reparou nos meus cab...

um dedo de prosa apaixonado

Quando o relógio bate seis da tarde, a namoradeira se empeteca e vai para a janela. Se debruça no parapeito para ver o movimento da rua. Os rapazes e moças voltando para casa depois de um exaustivo dia de trabalho. E ela a cobiçar os moços mais bem apanhados. Um deles chama sua atenção pelo jeans surrado e camisa xadrez, mas olhos de um verde brilhante, que guardam um certo mistério. A namoradeira, vestida de chita, cabelo liso amarrado com fita e batom vermelho nos lábios, espera que um dia esse trabalhador repare na janela dela. Quando o apito da fábrica grita é hora de descansar. O metalúrgico troca o macacão sujo de graxa pelo jeans surrado e a camisa xadrez. Coloca as botas e parte para o ponto de ônibus que o levará para o sítio. E ele poderá dar uma última olhada na moça que todas as tardes guarda o horizonte da janela amarela. Em sua incursão pela vida alheia, a namoradeira reparou no jovem que corria feito louco para alcançar o ônibus que parava, todo fim de tarde, em frent...

meus clássicos italianos

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E dai que eu sou filha de um italiano. Meus nonnos eram italianos, meus tios são italianos e eu sempre senti um orgulho danado disso, sem explicação. Tenho uma nonna italiana do lado da mãe, que deixou de herança os olhos azuis da vó Therê e, por consequência, os meus olhos azuis. De italiana a Therê só tem os olhos, o resto é português como o vô Joaquim. E nessa mistura toda, minha mãe nasceu branquinha com olhos castanhos, cabelos volumosos - ainda que lisos na adolescência - e braços fortes, de polenteira. Não que ela fizesse muita polenta, mas comer ela comeu bastante. Como eu, que guardei todas as particularidades dela mesmo tendo sido a cara do meu pai quando pequena. Foi estranho me olhar no espelho um dia desses e descobrir que sou parecida com a minha mãe. Quando era pequena, sempre diziam que eu era a cara do pai e a Natalia a cara da mãe, com seus cachinhos loiros. Ela sempre foi mais magrela que eu, mas na adolescência desenvolveu braços de polenteira como as mulheres da fa...